Showing posts with label PT. Show all posts
Showing posts with label PT. Show all posts

PT assumiu o controlo da Taguspark em 2007 com apoio de Isaltino, Vara e Governo

Face Oculta
PT assumiu o controlo da Taguspark em 2007 com apoio de Isaltino, Vara e Governo
24.02.2010 - 07:51 Por José António Cerejo

Isaltino Morais declarou anteontem que a Câmara de Oeiras inviabilizou em 2009 uma tentativa da PT para tomar conta da Taguspark SA, substituindo-se-lhe como principal accionista. As actas do conselho de administração contrariam estas afirmações.

Aliança contranatura de Isaltino com a PT e entidades públicas 
envolveu o ministro Mariano Gago 
Aliança contranatura de Isaltino com a PT e entidades públicas envolveu o ministro Mariano Gago (Pedro Cunha (arquivo))

As actas do conselho de administração (CA) da empresa mostram, contudo, que Isaltino foi o mentor de uma operação que veio a ser dirigida por Rui Pedro Soares, então administrador executivo da PT, e Armando Vara, na altura vice-presidente da CGD, e que conduziu, em 2007, à subalternização da autarquia e à entrega da Taguspark à PT e a entidades tuteladas pelo Governo.

Liderada desde a sua criação pela Câmara de Oeiras, que detém 16 por cento do capital, a Taguspark, promotora do parque de ciência e tecnologia homónimo, tinha em 2006 um CA presidido por um quadro camarário, Nuno Vasconcelos, e estava, na prática, nas mãos da autarquia.

A oportunidade que a PT e os accionistas ligados ao Estado não perderam surgiu com uma guerra fratricida entre Isaltino (que o PÚBLICO não conseguiu ontem ouvir) e Vasconcelos, após a eleição do primeiro como independente, em 2005. Face à recusa de Vasconcelos (actual presidente do Instituto da Reabilitação Urbana) em se submeter às orientações do autarca, este tudo fez para afastar a sua equipa, que tinha um vogal da PT (5,9% do capital) e outro do BPI (11%).

Em Outubro de 2006, o autarca chegou a propor ao presidente da empresa que antecipasse voluntariamente, com os seus vogais, o termo do mandato (que terminava em Fevereiro de 2008), dizendo-lhe mesmo que seriam todos compensados com "indemnizações bastante favoráveis". Recusada esta sugestão, foi a vez de Rui Soares, ainda em 2006, comunicar a Vasconcelos a posição da PT a favor da sua saída do CA. O objectivo transmitido por Rui Soares, relatou o presidente ao CA e consta de uma das suas actas, era o de "permitir que fosse encontrada uma solução de gestão em completa consonância com a câmara, posição que teria também o apoio de outros accionistas, como seria o caso da CGD (10% do capital).

Perante esta insistência, o CA decidiu marcar uma assembleia geral (AG) que não chegou a realizar-se devido ao facto de alguns accionistas e o ministro da Ciência, Mariano Gago, se terem mostrado desfavoráveis. Apesar disso, a PT e a CGD, "em sintonia com a câmara", pediram logo a seguir a convocação de outra assembleia para destituir o CA e eleger um novo.

Esta nova tentativa foi bloqueada por Mariano Gago que, segundo se lê na acta de 10 de Janeiro de 2007, se reuniu "com representantes dos accionistas Instituto Superior Técnico (prof. Matos Ferreira) e Universidade Técnica de Lisboa (prof. Lopes da Silva) e dos accionistas com participação pública na PT (dr. Rui Pedro Soares) e CGD (dr. Armando Vara)". Diz ainda o documento que, "tendo presente a posição manifestada pelo ministro em nome do Governo", a PT e a CGD retiraram o pedido de convocação da assembleia.

Já em Março, a PT contra-ataca, sempre com a câmara e a CGD, propondo novamente a destituição e causando a "perplexidade" do CA, "tendo em conta as recomendações expressas do ministro Mariano Gago".

O volte-face surge no fim de Março, dando o prof. Matos Ferreira, então presidente do IST, conta ao CA dos "contactos mantidos com o ministro da Ciência e com o presidente da PT, dr. Henrique Granadeiro" a propósito da destituição do concelho. Nos termos da acta, Mariano Gago deixou aí de se opor aos accionistas que queriam afastar o CA e deu mesmo uma "orientação no sentido de os accionistas IST e da UTL participarem no processo de negociação em curso".

Contactado ontem pelo PÚBLICO sobre se não havia aqui uma situação de ingerência do Governo na vida da empresa e de violação da autonomia universitária, o ministro respondeu por escrito, através do seu gabinete: "O ministério nunca deu, nem tinha competência para dar, quaisquer orientações à UTL ou ao IST, entidades universitárias autónomas, em matérias relacionadas com decisões da AG do Taguspark. Cabe pois aos responsáveis por essas entidades informar sobre as posições por si tomadas nesta matéria."

Dois meses depois a AG destituiu Nuno Vasconcelos, Simões Vasco e André de Oliveira - que levaram em conjunto perto de meio milhão de euros de indemnização - e nomeou o novo concelho. À cabeça ficou Américo Thomati (PT) e como vogais ficaram Tavares de Castro, um colaborador de Isaltino, e Paulo Lages, um quadro técnico da RTP amigo e antigo colega de José Sócrates, num curso de gestão de empresas.

No fim de Maio passado, 15 dias antes de começar a tratar do contrato de Luís Figo com a Taguspark, João Carlos Silva, ex-deputado do PS e ex-administrador da RTP, substituiu Paulo Lajes. Pelo meio, em Maio de 2008, a operação alargou-se à área-chave da gestão imobiliária do Taguspark, passando a administração da sua subsidária Promitagus a integrar Thomati, uma ex-adjunta e um ex-secretário de Estado de Vara e ainda o dirigente socialista e advogado da PT Paulo Penedos, além de um velho colaborador de Isaltino.

Entrevista ao i de Rui Pedro Soares


Rui Pedro Soares: "Não sou amigo íntimo de José Sócrates"

por André Macedo, Publicado em 20 de Fevereiro de 2010 

Após as buscas na Portugal Telecom (PT), Rui Pedro Soares renunciou ao cargo de administrador da operadora na quarta-feira e nesse mesmo dia recebeu, através de e-mail, as perguntas do i. Ontem, às 21h24 as respostas chegaram, também por e-mail.

Demitiu-se uma semana depois de o “Sol” ter publicado as escutas que o envolvem. Sentiu-se apoiado pelos seus agora ex-colegas de administração da PT ou sentiu que era o elo mais fraco e que não tinha alternativa?
Em primeira linha, o exercício de funções pelo administrador duma sociedade depende dos accionistas, além, é claro, da sua própria vontade em permanecer no cargo. Nenhum accionista da PT me transmitiu a sua falta de apoio. A respeito do dr. Granadeiro e do eng.º Zeinal, saliento que na sua apreciação do meu pedido de renúncia referiram o empenho e o profissionalismo com que sempre exerci as minhas funções. Permita-me ainda que lhe cite uma declaração conjunta de ambos de que os motivos da minha saída foram os que constam da minha declaração de renúncia, ou seja, para poder preparar a minha defesa sem quaisquer constrangimentos e para que a minha presença nos órgãos sociais da PT não pudesse servir para lesar a imagem e a reputação do grupo PT.

Porque motivo interpôs a providência cautelar para impedir a publicação das escutas? Não receou que esse comportamento acabasse por se virar contra si, aumentando as suspeitas e empolando ainda mais o caso?
As pessoas de boa fé que se consigam abstrair do ruído mediático perceberão o que vou dizer. Pela providência cautelar, pedi aos tribunais que decidissem se a publicação das escutas telefónicas respeitava a lei ou não. Até hoje, já li nos media dezenas de respostas a esta pergunta, mas existe uma única decisão de mérito dum tribunal sobre esta questão e foi no sentido de que essa publicação violou a lei. Repito: uma decisão judicial, a única proferida até hoje sobre o mérito deste assunto, determinou que a publicação das escutas violou a lei. Também li nos jornais que quer o sr. procurador-geral da República, quer o Ministério Público de Aveiro abriram processos crime por causa da publicação dessas escutas, e que o juiz do processo Face Oculta disse a um jornal que entendia que as escutas estavam em segredo de justiça. Por outro lado, no meu primeiro comunicado sobre o assunto, que dirigi à “Lusa”, disse que esperava, porventura em vão, que a rapaziada do “Sol” cumprisse uma decisão judicial. Essa rapaziada publicou um comunicado dizendo que ia desobedecer a essa decisão judicial, e de caminho fugiu a receber uma notificação do Tribunal. E aconteceu que políticos que até então faziam profissões de fé em que as decisões dos tribunais devem ser respeitadas se esquecessem disso a propósito desta decisão. De todos os responsáveis políticos alheios ao PS que prestaram declarações sobre o assunto, só me lembro dum deputado do CDS a afirmar esse princípio. As declarações sobre este assunto de alguém que há poucos anos era Ministro da Justiça também merecem ser lidas e relidas. A providência cautelar fez cair a peruca a muita gente. Acredita que estou arrependido?
Vai processar o “Sol”?
Tem alguma dúvida?
Com quem se aconselhou para avançar com a providência? Falou com alguém do governo?Quanto à pergunta sobre alguém do governo, desculpe mas tomo-a por brincadeira de Carnaval. Quanto ao resto, não sou advogado.
Nesta semana, Zeinal Bava não fez um único comentário em sua defesa e Granadeiro mostrou-se muito desconfortável – a expressão foi “encornado”. Em algum momento falou com algum dos dois sobre esta questão? O que foi dito nessas conversas?
Aí está enganado. O dr. Granadeiro e o eng.º Zeinal já elogiaram publicamente o meu empenho e profissionalismo no exercício das funções de administrador, e um dia depois da minha saída disseram que as razões dessa saída eram as que constam na minha declaração da renúncia, ou seja, passar a ter a liberdade de que necessito para preparar a minha defesa, que não teria se continuasse a ser administrador da PT, e também por entender que nas actuais circunstâncias a minha continuação como administrador serviria para que gente de má fé prejudicasse a PT.

Zeinal Bava e Granadeiro têm condições para continuar na PT?
Não percebo o que pode motivar alguém a fazer esta pergunta, e muito menos que sentido faz ser-me dirigida a mim.

Qual é a sua relação com o primeiro--ministro? Quando o conheceu? Com que regularidade lhe fala? Tem acesso directo e fala ao telemóvel com José Sócrates?Não somos amigos íntimos. Conheci-o em 2004. Fomos apresentados pelo Sérgio Sousa Pinto. Há alturas em que falamos com muita frequência. Olhe, só para exemplo, pode acontecer que durante um jogo de futebol falemos cinco ou seis vezes. Mas há períodos em que passamos meses sem nos falarmos. Não tenho acesso político ao primeiro-ministro e não faço parte de nenhum círculo político do eng. José Sócrates, se é que esse círculo existe.

Nas escutas parece ficar claro que havia mesmo a intenção de a PT funcionar como braço do governo para controlar a TVI e outros grupos de media. Como comenta?
É sabido que considero que a publicação das escutas viola as regras legais sobre o segredo de justiça, e que por isso é crime. Já li na imprensa que o procurador-geral da República e o Ministério Público de Aveiro abriram processos-crime por causa da publicação dessas escutas, processos esses que acompanharei com muita atenção. Aliás, disse aos meus advogados que me quero constituir como assistente nesses processos. Também já li que o juiz da comarca do processo Face Oculta disse que considera que essas escutas estão em segredo de justiça. Assim, não falo sobre o seu conteúdo, pois, a ser verdade que são crime, o que os meus advogados me dizem que sim, estaria a compactuar com criminosos, e até dos que fogem a serem notificados pelos tribunais. Não me queira fazer cúmplice dessa rapaziada. Dizem-me também que, estando em causa comunicações entre cliente e advogado, as escutas das conversas entre mim e o advogado dr. Paulo Penedos poderão ser ilegais. Não sendo advogado, ouvi dizer um dia que há certas leis que os cidadãos devem defender como se fossem as muralhas da sua cidade.

A PT tinha de facto vontade de voltar aos media depois da experiência amarga na Lusomundo? Acha que fazia sentido estratégico este regresso aos media?
Estou limitado por lei por um dever de confidencialidade relativamente a negócios da PT. Os administradores da empresa proprietária do i dir-lhe-ão o mesmo se lhes perguntar. E não se esqueça de que a PT está num ambiente de concorrência apertada e que a PT Comunicações é concessionária do serviço público universal de telecomunicações. Se falar sobre esse negócio, como sobre outros, dizem-me os advogados que posso estar a cometer um crime chamado violação de segredo por funcionário. Este dever de confidencialidade e as suas consequências foi algo para que os advogados me alertaram aquando do meu início de funções de administrador. É claro que não cometerei esse crime, ou qualquer outro.

Essa vontade foi alguma vez discutida formal e informalmente pela administração da PT?Tenho de repetir o que disse à sua pergunta anterior?

Nunca avaliaram os riscos políticos da operação?
Outra vez?
Alguma vez falou com o primeiro-ministro ou com o ministro das Obras Públicas sobre estas questões (os media) e alguma vez José Sócrates – ou outro elemento do governo – lhe pediu que montasse um esquema para aumentar o peso e o controlo do Estado nos órgãos de comunicação social?
Essa história de que o primeiro-ministro ou qualquer membro do governo me deram ordens, instruções ou recomendações para a PT comprar uma participação na TVI é de anedota. Só o “Sol” e quem acredita no que lê no “Sol” pode imaginar que o primeiro-ministro me deu essa ordem e que eu, então um vogal da comissão executiva da PT, teria decidido comprar essa participação, ou que teria dado ordem aos meus chefes, o dr. Granadeiro e o Eng. Bava, para a comprarem. E li na imprensa uma declaração conjunta do dr. Granadeiro e do eng. Zeinal que me permitirá que cite na íntegra: “A projectada aquisição pela PT de uma participação relevante na Media Capital enquadrava-se nos objectivos estratégicos da PT, apresentando por isso um racional de negócio próprio, sobre o qual foram dadas as explicações necessárias em momento próprio e que aqui se reiteram”.

Como explica as conversas que teve com Paulo Penedos sobre o negócio entre a PT e a Prisa?
Não branquearei o crime de violação de segredo de justiça.
O facto de ter chegado a administrador da PT com 33 anos é um dos elementos que fortalece e credibiliza as suspeitas junto da opinião pública. Como conseguiu a nomeação, quem o convidou e como reagiu ao convite?Fui convidado por uma única pessoa: o dr. Henrique Granadeiro. Só o próprio poderá explicar a razão de me ter convidado e de me ter renovado o convite três anos depois, para o mandato seguinte. Como imagina, recebi ambos os convites com alegria e sentido de responsabilidade.

Acha-se um boy do PS ou considera injusta essa acusação?
As biografias que os jornais têm publicado sobre mim têm esse objectivo. Como essas biografias estão cheias de meias verdades, omissões e mentiras puras e duras, quem quiser tire as suas conclusões. Mas deixe-me dizer o seguinte: enquanto administrador executivo da PT SGPS fui quatro vezes avaliado pela comissão de avaliação da empresa. Cada um dos pelouros que ocupei, e nomeadamente o cumprimento dos meus objectivos em cada pelouro, foi analisado e apreciado por essa comissão. Essa informação é pública. Por que razão nenhum jornal, até hoje, se interessou por ela?
Sente-se perseguido politicamente?
Não acredito que haja alguém suficientemente ingénuo a ponto de não perceber que o que se está a passar relativamente a mim faz parte duma estratégia para atacar o eng. José Sócrates.

Desde quando soube que estava sob escuta? Alguém o informou antes de ver publicadas as escutas? O “Correio da Manhã” noticiou que, a certa altura, alguém o informou...
Em primeiro lugar, nenhuma autoridade me disse que estou sob escuta. Mas li há tempos na imprensa que em Portugal há uns 40.000 telefones sob escuta. O “Correio da Manhã” também publicou, como notícia principal da sua edição na Internet, no dia em que a operação policial Face Oculta se tornou pública, que um administrador da PT estava a ser ou tinha sido inquirido no âmbito desse processo, e no texto dizia-se que esse administrador era eu próprio. Veja bem aonde as coisas chegam.  Aproveito para dizer que não conheço o Sr. Manuel Godinho e nenhuma das suas empresas tinha ou teve relações com a PT enquanto fui seu administrador, ou, tanto quanto sei, com qualquer empresa a que eu esteja ou tenha estado ligado.

Fala ao telefone livremente?
Há tempos, li uma declaração do dr. José Pacheco Pereira em que este dizia qualquer coisa como isto: sei, como toda a gente, que há conversas que não se devem ter ao telefone. Mas também sei que sempre cumpri a lei e não tenho nada a recear. Além de que pôr-me a monte para fugir a notificações dos tribunais não faz o meu tipo.
Acha que as grandes empresas têm poder sobre os media? Controlam jornalistas?
A meu ver, só é controlado quem se deixa controlar.

O que vai fazer agora que saiu da PT? Saiu da administração, mas continua quadro da empresa? Trabalho no grupo PT desde 2001. Entrei, com um contrato de trabalho a termo com a duração dum ano. Era então primeiro-ministro o eng. Guterres. Durante os governos dos drs. Durão Barroso e Santana Lopes, entrei no quadro, o meu salário triplicou e fui nomeado assessor do conselho de administração da PT Multimédia. O meu contrato de trabalho esteve suspenso enquanto fui administrador, e agora que deixei de o ser, o contrato deixou de estar suspenso.

Pelos cornos morre o peixe?

Pedro Santos Guerreiro

Pelos cornos morre o peixe?

psg@negocios.pt


O processo "Face Oculta" tem revelado suspeitas de fraudes em várias empresas do Estado e envolvendo "boys". Mas é na PT que a patifaria atingir grau maior: houve saque.

O processo "Face Oculta" tem revelado suspeitas de fraudes em várias empresas do Estado e envolvendo "boys". Mas é na PT que a patifaria atingir grau maior: houve saque.
Na Refer, CP, Carris, Estradas de Portugal (lembremo-nos: tudo começou com desvios de sucata) estão em causa pequenas máfias internas. Uma pesagem errada, um carregamento que desaparece, uma cancela que se abre de olhos fechados. Uma orquestra de pequenos larápios que as administrações não desactivaram.
Na EDP, está envolvido um administrador de uma participada imobiliária, que já foi discretamente saneado. É na REN, BCP e PT que estão envolvidos administradores de topo: José Penedos, Armando Vara, Rui Pedro Soares e Soares Carneiro. Todos de carreira política.
Na REN, Penedos suspendeu o mandato e a empresa prossegue, sob a competente batuta de Rui Cartaxo. No BCP, Vara está suspenso sem tensão na administração: Santos Ferreira e Paulo Macedo, os administradores que já se pronunciaram sobre o assunto, foram até solidários com Vara.
É na PT que as suspeitas da "Face Oculta" chegam mais alto na hierarquia. E é lá que essa hierarquia não dobra nem a língua nem a coluna: assumindo-se "encornado" por dois administradores, Henrique Granadeiro está a deixar claro que o que se passou na PT foi uma traição. A empresa foi usada.
Granadeiro já uma vez acusou Fernando Soares Carneiro de "quebra de confiança", quando este "desviou" sem autorização dinheiro de fundos da PT para fundos da Ongoing. Falou de "terrorismo" quando actas da PT foram publicadas no diário da Ongoing. E convidou Soares Carneiro a demitir-se, gesto de decência que o alapado administrador ignorou.
É agora a vez de a Rui Pedro Soares ser apontada a porta de saída. Como já se percebeu, o país está a ficar cheio de pessoas que nem obviamente se demitem. Por isso Henrique Granadeiro tem de ser mais consequente.
Granadeiro já uma vez deu um murro na mesa - e não chegou. Agora, usando os seus termos, tem de dar um murro nos cornos. Este clã Soares tem de sair da PT, ou pelo seu pé, ou ao pontapé. Se estas duas demissões não acontecerem, outra tem de suceder: a do próprio Granadeiro. Se as suas palavras não valem nada, então "chairman" tem de mudar para "shelfman": é uma prateleira.
Henrique Granadeiro e Zeinal Bava podem não gostar de remar ao mesmo ritmo, mas estão juntos no mesmo barco. A ser verdade o que está publicado, foram ambos "encornados", enganados pelos administradores executivos que o Estado lá infiltrou, que congeminaram intentos políticos, usaram os seus presidentes, até lhes tiraram "o sonho", como é dito.
Está hoje documentado o que se insinuava: a PT tem intrusos políticos e accionistas que vivem bem com isso ou até muito bem à custa disso. Estão hoje todos calados.
Alguém acredita hoje que o Governo não teve mesmo nada a ver com o chumbo da OPA da Sonae? É curioso, aliás, ver as fotos que o Negócios hoje publica desse crucial dia, em que em assembleia geral a PT aniquila a OPA. Está lá toda a gente: dos que servem a empresa aos que se servem dela. No segundo seguinte à vitória, muitos subiram ao palco da administração de Granadeiro e Zeinal Bava para passarem a fazer parte da "equipa dos vitoriosos". Soubemos então que ganharam. Sabemos agora o que ganharam.

psg@negocios.pt

Granadeiro sentiu-se "encornado"

Escutas Face Oculta

Granadeiro sentiu-se "encornado"

Granadeiro diz que foi o último a saber do envolvimento da PT no alegado plano do Governo para controlar os media. E revela um e-mail onde o advogado João Carlos Silva diz que as escutas são "falsas". LEIA A TROCA DE E-MAILS

Clara Teixeira

18:02 Sexta-feira, 12 de Fev de 2010

Henrique Granadeiro, presidente não executivo da Portugal Telecom, sente-se "encornado" com a descoberta de que a PT fazia parte de um alegado plano do Governo de José Sócrates para controlar a Comunicação Social, revelado nas escutas publicadas pelo semanário "Sol". Granadeiro "não sabia nem desconfiava" do envolvimento da empresa nesse plano, mas admite: "Pode ter acontecido, à minha revelia". À pergunta da VISÃO online sobre o que sentiu depois de ter tomado conhecimento dos factos divulgados pelo "Sol", respondeu: "Encornado!". E, de seguida, riu-se.

Granadeiro disse já ter falado sobre o assunto com Zeinal Bava, presidente executivo da PT, mas escusou-se a revelar o teor da conversa. Garantiu que "ninguém se demitiu, mas também ninguém é arguido". As restantes explicações reservou-as, em primeiro lugar, para a própria empresa e, de seguida, para o Parlamento, caso venha a ser chamado pelos deputados para prestar esclarecimentos. Recordou ainda que sempre se mostrou contra o envolvimento da PT na compra da TVI, por discordar do regresso da empresa ao negócio dos conteúdos. O gestor chegou a ser presidente da Lusomundo Media, que consistiu na primeira incursão da PT nos conteúdos.

Henrique Granadeiro referiu ainda um e-mail recebido do advogado e ex-presidente da RTP, João Carlos Silva, às 12h31m da manhã de hoje, onde este garante ao chairman da PT que a parte das escutas onde os nomes de ambos são citados é "falsa". A VISÃO transcreve de seguida a troca de e-mails:

TROCA DE EMAILS

From: Henrique Manuel Fusco Granadeiro
Sent: sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010 16:53
To: 'João Carlos Silva'
Subject: RE: Para entrega ao Sr. Dr. Henrique Granadeiro

Sr. João Carlos Silva,

Agradeço a sua informação. De facto, achei muito estranho que V.Exa. se tivesse referido a mim em tais termos, quando não houve nunca entre nós qualquer contacto nem sobre este, nem sobre outro qualquer assunto.

Tendo tal falsidade que lhe é atribuída sido publicada, agradeço-lhe que torne público o seu desmentido.

Com os melhores cumprimentos,

Henrique Granadeiro

From: João Carlos Silva [mailto:XXXXXXXXX]
Sent: sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010 12:31
To: Maria Cristina Luna Pais Dias
Subject: Para entrega ao Sr. Dr. Henrique Granadeiro

D. Cristina Dias, agradeço o obséquio de entregar esta comunicação ao Exmo. Sr. Dr. Henrique Granadeiro:

Exmo. Sr. Dr. Henrique Granadeiro,

O Jornal SOL divulga hoje, na página 6, uma alegada escuta de uma conversa que teria ocorrido entre mim e o Dr. Paulo Penedos. Aí é referido: "João Carlos Silva garante que Henrique Granadeiro apenas se portou bem porque 'lhe ligou cinco vezes e exigiu que ele falasse com o chefe, que já estava aos berros'".

Não posso deixar de o informar que é completamente falso que eu alguma vez tivesse participado em qualquer conversa telefónica ou pessoal, seja com quem for, que envolvesse ou referisse o nome de V. Exa., seja a que título for . A alegada escuta não existe, não pode existir porque a conversa telefónica que relata nunca existiu. O que vem no jornal é falso.

Não só, como ambos sabemos, eu nunca tive o prazer de estabelecer qualquer contacto telefónico com V. Exa., como nunca disse a ninguém que o tinha feito (afirmação que só poderia fazer se eu estivesse a mentir - o que não ocorreu).

Já agora, informo-o também que a outra conversa que é relatada no mesmo Jornal com a minha intervenção também não corresponde à verdade.

Peço desculpa de o incomodar sobre este assunto mas, tanto pela consideração que me merece apesar de só nos conhecermos socialmente, como pelo meu interesse em esclarecer esta questão perante si, não poderia deixar de lhe transmitir esta informação, a qual poderá ser utilizada por V. Exa. como entender.

Com muita consideração e os meus melhores cumprimentos,  

JOÃO CARLOS SILVA
Advogado
João Carlos Silva & Associados - Sociedade de Advogados, R.L.
Av. Marechal Gomes da Costa, 511
4150-358 PORTO
PORTUGAL