Showing posts with label sócrates II. Show all posts
Showing posts with label sócrates II. Show all posts

Os cinco erros do primeiro-ministro na entrevista à TVI

Sócrates vs. realidade

Os cinco erros do primeiro-ministro na entrevista à TVI

por Bruno Faria Lopes, Publicado em 04 de Outubro de 2010  |  Actualizado há 2 horas

http://www.ionline.pt/conteudo/81615-os-cinco-erros-do-primeiro-ministro-na-entrevista--tvi

Depois de ter apresentado o segundo pacote adicional de austeridade, o primeiro-ministro deu duas entrevistas em dois dias. No sábado teve o exame mais duro – e as respostas nem sempre corresponderam à realidade dos factos ou aos limites do possível. Saiba como os erros de Sócrates afectam o seu bolso.

Os erros de Sócrates na entrevista à TVI têm impacto directo no seu bolso

Os erros de Sócrates na entrevista à TVI têm impacto directo no seu bolso Reuters

    1 - “Isso é partir do princípio de que teria sido melhor para o país tomar as medidas em Maio. Eu não estou convencido disso.”

    Não. Atraso nas medidas agravou subida do juros.

    A especulação sobre a dívida portuguesa foi alimentada pela situação da Irlanda e pelos sinais errados que as contas públicas de Portugal foram emitindo. Bancos (Credit Lyonnais, por exemplo) e agências internacionais notaram o atraso português na consolidação orçamental. Espanha tomou medidas e teve recessão e mais desemprego, argumenta o primeiro-ministro. Portugal toma-as agora com maior esforço no PIBdo que em Espanha e com recessão e subida do desemprego à vista. Entretanto, a imagem externa do país e a factura dos juros (paga pelos contribuintes) agravaram-se.

    2 - “Quando as condições de mercado melhorarem nós poderemos renegociar essas colocações de dívida.”

    Não. Portugal não pode renegociar emissões já feitas.

    José Sócrates defende que a factura dos juros da dívida emitida este ano poderá ser renegociada. Não é assim. “Demonstra uma profunda ignorância sobre o financiamento público”, aponta Cantiga Esteves, professor de Finanças no ISEG. As emissões foram feitas e dispersadas em mercado secundário a um juro fixo que não pode ser alterado. O governo poderia recomprar essas obrigações se os juros caíssem, mas pagaria mais por elas (porque quando os juros caem, o preço das obrigações sobe). Não há dúvida: a factura a pagar será mesmo mais alta.

    3 - “Os contribuintes não vão pagar nada porque estes fundos [de pensões da PT] foram provisionados”

    Não. É impossível dar hoje essa garantia aos portugueses.

    Em primeiro lugar, os “cálculos actuariais” de que Sócrates falou são muito falíveis, como “têm demonstrado várias teses de mestrado em Finanças”, diz João Duque, professor de Finanças no ISEG. As taxas de mortalidade usadas estão sempre a mudar (com o aumento da longevidade) – esta é uma realidade dinâmica e o provisionamento feito pela PT pode não chegar. Segundo: o Estado vai gastar já o dinheiro que recebe da PT e terá mais tarde de taxar os portugueses para pagar as pensões. É um empréstimo que a PT (que propôs o negócio ao Estado) faz: a que taxa de juro? Não se sabe.

    4 - “O facto de a nossa economia estar agora mais robusta dá mais garantias de que apesar destas medidas continuará a crescer”

    Sócrates invoca o crescimento de 1,4% até Junho para defender a capacidade da economia de aguentar a austeridade orçamental. Está sozinho nessa análise. Economistas portugueses (da esquerda à direita) e estrangeiros (FMI, “Economist”, Barclays, etc.) apontam para uma recessão em 2011, indicando bloqueios estruturais ao crescimento. E depois de 2011? Jorge Coelho, do PS, explica ao i: “Isto não é problema que se resolva em dois ou três anos. Só se o défice baixar e a economia internacional animar é que podemos pensar em levantar voo. Mesmo assim, será um voo muito baixinho.”

    5 - “Quando um governo diz que congela as pensões quer dizer que todos os pensionistas receberão em 2010 o que recebiam em 2009”

    O chefe de governo fala da decisão de congelar as pensões, mas deixa de fora uma medida do seu governo: “Convergência da tributação dos rendimentos da categoria H [pensões de reforma] com regime de tributação da categoria A [trabalho]”. Por outras palavras: num ano de congelamento da prestação, o governo vai agravar a tributação de IRS sobre as pensões de reforma, aproximando-a do nível taxado aos rendimentos do trabalho. Na prática, haverá por isso uma redução real no valor das reformas, acrescido do desgaste provocado pela inflação.

    As melhores frases de Sócrates. Entrevista à RTP

    As melhores frases de Sócrates. Comente!

    Veja aqui as frases mais marcantes da entrevista do primeiro-ministro à RTP
    Por Redacção  PGM
    2010-05-18 22:46

    Sobre as medidas duras que teve de tomar:
    «Preferia governar noutro momento da história, mas os portugueses escolheram-me para governar agora»

    «Não estou preocupado com a minha imagem nem como o meu futuro político»

    «O mundo mudou em três semanas e eu tenho a obrigação de governar atento às mudanças na realidade»

    Sobre o aumento de impostos:
    «Não peço desculpa por cumprir o meu dever»

    «Nunca pensei em aumentar impostos. Fiz tudo para não os aumentar»

    Veja aqui as declarações de Sócrates

    Sobre o corte de salários dos políticos:
    «Dá às pessoas a ideia que políticos ganham muito, e isso não é verdade»

    «A paternidade dessa ideia não é minha. Se a medida é muito popular, tenho gosto em entregar louros a quem os merece»

    «Se comparássemos os salários dos políticos com de outros profissionais de outros sectores teríamos grandes surpresas»

    Sobre o esforço pedido aos portugueses:
    «Nunca haverá uma justiça perfeita, mas fizemos um esforço para dividir por todos»

    Sobre as vozes que se levantam contra as obras públicas que o Governo mantém:
    «Não se pode gerir um país com base no medo. O medo é mau conselheiro»

    Sobre o caso PT/TVI:
    «Depois do que passei, estou preparado para tudo. Nada temo. Como diria Fernando Pessoa, venha o que vier, nada será maior do que a minha alma».

    Veja também:

    Sócrates admite que alta de impostos pode ficar até 2013

    «Não esperava ouvir isso de um banqueiro»

    «O mundo mudou em três semanas»

    «Não peço desculpa por cumprir o meu dever»

    Sócrates está contra corte do salário dos políticos

    Comente as declarações do primeiro-ministro! Deixe-nos a sua opinião e contribua para o debate.

     

    Economia

    Sócrates admite que alta de impostos pode ficar até 2013

    Primeiro-ministro espera que isso não seja preciso e admite que não tem acordo do PSD para o prolongamento
    Por Redacção  PGM
    2010-05-18 21:37

    O primeiro-ministro acaba de admitir, em entrevista à RTP, que, se for necessário, as medidas de austeridade, incluindo o aumento de impostos, possam permanecer até 2013, e não apenas até 2011, como anunciou inicialmente.

    Veja aqui as declarações de Sócrates

    Depois de o ministro das Finanças ter admitido essa possibilidade terça-feira de manhã em Bruxelas, José Sócrates negou existir qualquer divergência dentro do Governo nessa matéria.

    «O ministro das Finanças disse exactamente o que pensamos: as medidas durarão até que atinjamos as metas orçamentais que nos propomos. O acordo que temos com o PSD é só até ao final de 2011, mas se, chegados a essa altura, se verificar necessário manter as medidas por mais tempo, não hesitaremos», afirmou, salvaguardando, no entanto, ter «expectativa que não venham a ser necessárias para além de 2011».

    «Não esperava ouvir isso de um banqueiro»

    «O mundo mudou em três semanas»

    Para o primeiro-ministro, o mais importante é que «todos no plano internacional saibam que estamos dispostos a cumprir as nossas obrigações para defender estabilidade da nossa economia e o euro».

    Governo espera que empresas absorvam aumento do IVA

    O chefe do Governo explicou ainda que, face às várias opções disponíveis, o executivo preferiu que o programa de austeridade incidisse sobre todos e não apenas sobre alguns segmentos, como a função pública. «Fizemos uma opção: tem de ser um esforço colectivo, não focado num segmento, ao contrário do que fizeram outros países, que cortaram, por exemplo, os salários dos funcionários públicos. Pedimos esforço a todos».

    «Não peço desculpa por cumprir o meu dever»

    Sócrates está contra corte do salário dos políticos

    José Sócrates considera ainda que as medidas são «de justiça». «Nunca haverá uma justiça perfeita, mas fizemos um esforço para dividir por todos. Recusámos agir no 13º mês, como muitos defendiam, porque isso era limitado a um sector».

    «Este é um plano nacional, justo, repartido», concluiu.

    O primeiro-ministro explicou ainda porque não optou por aumentar a taxa normal do IVA para 22%, em vez de mexer nas várias taxas. «Aumentar taxa máxima IVA para 22% poderia ter efeitos recessivos e efeitos inflacionistas superiores», explicou.

    Ao aumentar apenas um ponto nas taxas reduzida, especial e normal, o primeiro-ministro acredita que «as empresas incorporarão este aumento nos seus custos. Já aconteceu antes, as empresas absorverem esse aumento, em vez de o passarem para os consumidores», disse.

     

     

     

    Economia

    Sócrates a Ulrich: «Não esperava ouvir isso de um banqueiro»

    Primeiro-ministro classifica declarações como «incendiárias»

    Por Redacção  PGM
    2010-05-18 21:42

    O primeiro-ministro parece ter sido surpreendido pelas declarações do presidente do BPI. Ulrich afirmou esta terça-feira que o dia em que teremos de pedir ajuda ao FMI pode estar por semanas. Sócrates considera-as declarações «incendiárias».

    Veja aqui as declarações de Sócrates

    «O dia em que batemos na parede pode ser no curto prazo. Estamos a falar dos bancos cortarem fortemente o crédito e a república portuguesa suspender pagamentos e ter de pedir (ajuda) ao FMI. Pode estar a semanas», afirmou Fernando Ulrich, numa conferência da revista Exame.

    «O mundo mudou em três semanas»

    «Não peço desculpa por cumprir o meu dever»

    Em entrevista à RTP e confrontado com as declarações do presidente do BPI, José Sócrates começou por dizer que não queria comentar «declarações de responsáveis bancários», mas acabou por afirmar que «a economia é o objectivo que nos move. Fá-lo-emos de forma responsável e não com declarações incendiárias e irresponsáveis. Não esperava ouvir isso de um responsável de um banco».

    Sócrates admite que alta de impostos pode ficar até 2013

    Sócrates está contra corte do salário dos políticos

     

     

    Economia

    Sócrates: «O mundo mudou em três semanas»

    Primeiro-ministro garante que fez tudo o que pôde para não aumentar impostos
    Por Redacção  PGM
    2010-05-18 21:51

    O primeiro-ministro justificou esta terça-feira em entrevista à RTP a violação da sua promessa eleitoral de não aumentar os impostos: «o mundo mudou», disse.

    José Sócrates começou por lembrar que, quando o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) foi apresentado, no primeiro trimestre do ano, ele foi aplaudido por todos e considerado suficiente para corrigir o défice, ao mesmo tempo que protegia a nossa economia.

    Veja aqui as declarações de Sócrates

    «Entretanto o mundo mudou. Houve um ataque ao euro, um ataque sistémico. Mudaram os mercados financeiros. Numa semana as obrigações do Tesouro pagavam juros de cerca de 5%, e uma semana depois estavam a mais de 7%. Foi uma mudança abrupta para Portugal, Espanha e todos países do euro. O que houve foi um ataque à dívida soberana europeia», disse.

    «Não peço desculpa por cumprir o meu dever»

    «Não esperava ouvir isso de um banqueiro»

    «Houve uma mudança significativa no ambiente e uma desconfiança acrescida relativa à dívida soberana dos países do euro. Todos países foram atacados nessa semana e a Europa tinha de agir em conjunto. Portugal não podia ficar de fora e não fazer nada», acrescentou.

    «O mundo mudou em duas semanas e tenho obrigação de conduzir governação estando atento às mudanças da realidade», disse ainda o primeiro-ministro.

    Sócrates admite que alta de impostos pode ficar até 2013

    Sócrates está contra corte do salário dos políticos

    Nunca pensei, nem nenhum dirigente europeu pensou, que houvesse uma desconfiança generalizada em relação à dívida dos países europeus. Nunca pensei em aumentar impostos. Fiz tudo para não aumentar os impostos, mas o mundo mudou nas últimas três semanas» concluiu.

    Problema nº 1 em Portugal é a recuperação económica

    José Sócrates reconhece que o desemprego, cuja taxa atingiu os 10,6% no primeiro trimestre, está em valores históricos, mas faz questão de sublinhar que essa é uma situação transversal a muitos países da Europa.

    O primeiro-ministro coloca a recuperação económica como o «problema número 1», porque sem crescimento não há emprego.

    «Se não tomássemos estas medidas, a recessão seria muito maior», garantiu.

     

     

     

    Economia

    Sócrates: «Não peço desculpas por cumprir o meu dever»

    Primeiro-ministro diz que aumento de impostos era imprescindível
    Por Redacção  PGM
    2010-05-18 21:55

    O primeiro-ministro recusa-se a pedir desculpas aos portugueses por ter aumentado os impostos, violando uma das suas promessas eleitorais. «Não peço desculpas por cumprir o meu dever», disse, em entrevista à RTP.

    Veja aqui as declarações de Sócrates

    «Estou a fazer o que é exigido, o país precisa destas medidas, elas são imprescindíveis», justificou-se José Sócrates.

    «O mundo mudou em três semanas»

    «Não esperava ouvir isso de um banqueiro»

    «Quando um político faz o que deve, deve fazê-lo por forma a que as pessoas percebam que é um esforço absolutamente necessário. Porventura teria de pedir desculpa se não tivesse coragem de tomar as medidas necessárias. Só quem não faz aquilo que deve é que tem de pedir desculpas».

    Sócrates admite que alta de impostos pode ficar até 2013

    Sócrates está contra corte do salário dos políticos

     

     

    Economia

    Sócrates está contra corte dos salários dos políticos

    Primeiro-ministro cedeu a exigência do PSD para viabilizar acordo no programa de austeridade
    Por Redacção  PGM
    2010-05-18 22:14

    O primeiro-ministro admite ser contra o corte de 5% nos salários dos políticos, medida que consta do programa de austeridade recentemente anunciado, mas que foi, na verdade, exigida pelo PSD.

    «É uma medida com a qual não concordo, mas não era por isso que não iria haver acordo. Não concordo porque acho que não tem grande efeito orçamental. O PSD advoga que tem um efeito simbólico. Pode ser, mas dá às pessoas a ideia que políticos ganham muito, e isso não é verdade», disse em entrevista à RTP.

    Veja aqui as declarações de Sócrates

    Confrontado por Judite de Sousa, o primeiro-ministro anuiu: «É uma cedência. A paternidade dessa ideia não é minha. Se a medida é muito popular, tenho gosto em entregar louros a quem os merece», disse.

    O primeiro-ministro disse ainda que não negociou com o PSD por se sentir obrigado a fazê-lo, pelas circunstâncias. «Sempre me empenhei num acordo com o PSD, mas nunca tive interlocução para um entendimento. Entendo que os compromissos assumidos no plano internacional devem ser assumidos pelo país e não apenas por quem está agora no Governo».

    «Não peço desculpa por cumprir o meu dever»

    «O mundo mudou em três semanas»

    «Não concordo com a medida porque considero que enfraquece a nossa democracia e os nossos políticos. Se comparássemos os salários dos políticos com de outros profissionais de outros sectores teríamos grandes surpresas», disse.

    Noutra matéria, quando se discutia o novo escalão de 45% no IRS para quem ganha mais de 150 mil euros, José Sócrates afirmou: «Tenho a certeza que a Judite de Sousa se enquadra nesse escalão». A jornalista revidou «Tal como o senhor». José Sócrates deixou a dúvida no ar: «Tal como eu? Talvez. Não sei».

    «Não esperava ouvir isso de um banqueiro»

    Sócrates admite que alta de impostos pode ficar até 2013

    "Há famílias que compram Coca-Cola a taxa de 5% e isso não é justo"

    "Há famílias que compram Coca-Cola a taxa de 5% e isso não é justo"

    Margarida Vaqueiro Lopes
    13/05/10 15:15

    José Sócrates defendeu hoje o aumento do IVA em todas as categorias, salientando que a medida vai afectar todas as pessoas e não só as famílias de baixos rendimentos.

    Questionado pelos jornalistas sobre se seria justo aumentar o valor do IVA de produtos considerados indispensáveis como o pão, o leite ou a água, José Sócrates sublinhou que "estamos a falar de pão, leite, água, Coca-cola, Pepsi-cola e outras coisas que não costumam ser referidas", e defendeu que "há famílias, como é o meu caso, que compram esses produtos a uma taxa reduzida de 5% - como uma Coca-cola- o que, verdadeiramente, temos que reconhecer, também não é muito justo".

    O primeiro-ministro salientou ainda que "essa taxa reduzida aplica-se a famílias com menores rendimentos e às famílias com mais rendimentos".

    Entrevista de José Sócrates ao JN

    José Sócrates: "Comissão de inquérito só serve para me atacar"

    20 Março 2010

    JOSÉ LEITE PEREIRA, PAULO FERREIRA E PAULO MARTINS

    foto Orlando Almeida/Global Notícias
    image

    José Sócrates admite falar à "grande comissão, que é o Parlamento"

    A comissão de inquérito ao caso PT/TVI é "um acto de profunda hipocrisia política, que apenas pretende instrumentalizar a Assembleia da República no ataque pessoal e político contra mim", afirma José Sócrates, em entrevista ao JN, cuja segunda parte será publicada amanhã, domingo. O primeiro-ministro não revela de que forma responderá perante a comissão, caso seja convocado.

    Saiu recentemente uma sondagem que lhe é favorável. Aos olhos de muita gente, causa admiração como tem resistido ao fogo que sobre si incide. Não seria mais prudente sair para se defender? Tudo o que tem sido dito não afecta a sua actividade, não teme que fira a imagem que as pessoas têm de si?

    Ao longo destes anos, nunca me faltou apoio do Governo, nem do meu partido, nem dos portugueses. Não encontro outra forma de reagirmos à calúnia, ao insulto e à maledicência que não seja a superioridade e até a indiferença por quem actua dessa forma. Uso a minha inteligência emocional para ignorar tanta coisa que se escreve e se diz. Lamento que alguns façam da nossa vida pública um exercício baseado na mesquinhez do ataque pessoal e que políticos e partidos pareçam ter desistido do país para se entregarem ao golpe baixo e à calúnia. Mas campanhas negras não resultam em Portugal. Quem recorre ao insulto, dispensando-se de provar o que diz, fica para sempre indignificado. Alguns políticos passaram o limite da consideração e respeito que em democracia é devido aos adversários.

    Está a referir-se a membros de algum partido, especificamente?

    Estou a referir-me, em particular, ao PSD. Chegam ao ponto de insultar um líder político, acusando-o de ter mentido no Parlamento, sem apresentar uma prova, um documento, um testemunho. Há quem invoque suposições. Mas quem insulta tem de fazer prova. E a prova só pode basear-se em factos, não em impressões ou em suspeitas. Temos vivido nos últimos tempos a política com base na ideia de que é preciso lançar suspeições, sem a mínima razoabilidade, com o único objectivo de atingir pessoalmente adversários.

    As queixas são só contra o PSD?

    Não me estou a queixar, estou a afirmar. Muitos dos outros partidos calam-se perante isto. Na Assembleia da República (AR), fui questionado por um deputado sobre se o Governo tinha conhecimento ou se deu alguma instrução para que determinado negócio entre a PT e a TVI se fizesse. Declarei que o Governo nunca foi informado, que nunca deu orientações, fosse a quem fosse, para proceder empresarialmente de um modo ou de outro. Mantenho o que disse. E todos os testemunhos conhecidos confirmam o que afirmei e desmentem em absoluto a intervenção do Governo. Todos. Mesmo assim, os partidos da Oposição insistem na tese de que não estão esclarecidos e na dúvida sobre se terei dito a verdade. É apenas uma ofensa gratuita.

    Os partidos vão levar o assunto a uma comissão de inquérito.

    É um acto de profunda hipocrisia política. Não pretendem apurar nada, mas manter uma suspeição e instrumentalizar a AR no ataque pessoal e político contra mim. Através da comissão de inquérito, não querem descobrir nada, porque já têm as respostas. Não andam à procura de esclarecimentos, o que querem é um palco para me atacarem.

    O presidente da República disse que a prova de que os portugueses não estão esclarecidos é que foi criada a comissão de inquérito. Qual o seu comentário?

    Há quem diga que não está esclarecido pela simples razão de que não quer esclarecimentos, quer é manter suspeições.

    Se for convocado, aceita compare-cer ou responderá por escrito?

    Eu respondo perante a grande comissão, que é o Parlamento na sua plenitude. Vou lá de 15 em 15 dias e não deixarei de responder a todas as perguntas e de criticar o comportamento de alguns. Henrique Granadeiro [presidente da PT] esclareceu na comissão de Ética que nunca informou o Governo, nem tinha de o fazer, sobre a intenção da PT de comprar a Media Capital. Zeinal Bava [presidente da Comissão Executiva da PT] explicou o racional económico do negócio. Também disse que nunca contactou nenhum membro do Governo. O mesmo afirmou Rui Pedro Soares. Ninguém melhor do que os próprios administradores sabe como as coisas se passaram. Não percebo a quem os deputados querem fazer mais perguntas. Mas a verdade é esta. Não receio nada. Não receio a publicação de nenhuma escuta. Reafirmo o que disse: o Governo nunca foi informado e nunca deu orientações a ninguém para uma acção empresarial no domínio da comunicação social.

    Há dias, em entrevista televisiva, Cavaco Silva disse, cito de memória, que as reuniões com o primeiro-ministro são de trabalho. Assina de cruz?

    Sim. São reuniões em que cumpro o meu dever de informar o presidente da República e em que temos conseguido abordar as principais questões nacionais e internacionais.

    A questão das chamadas "escutas a Belém" e, sobretudo, a do Estatuto dos Açores, em momento algum esfriaram a relação entre os dois órgãos?

    Sobre esse dossiê [das "escutas de Belém"], o PS disse tudo o que tinha a dizer, numa declaração de Pedro Silva Pereira, feita em nome do PS e de mim próprio. Disse na altura e mantenho - espero não ter de responder mais à pergunta - que estou bem consciente dos meus deveres institucionais.

    Isso significa que a chamada cooperação estratégica se mantém, que a subscreve?

    Subscrevo a ideia de uma cooperação institucional, porque é essa a minha leitura da Constituição. Tem sido preservada, mesmo naqueles momentos em que eu e o presidente da República pensamos de forma diferente. Isso não traz nenhum mal ao mundo. O que importa é que os portugueses saibam que entre o primeiro-ministro e o presidente da República há perfeita consciência dos deveres de cada um, respeito pelas suas esferas de competências e uma relação institucional que prestigia as duas instituições.

    Onde se manifestam as diferenças?

    Já notei algumas. Pensamos de forma diferente em relação ao Estatuto dos Açores - sempre achei que a nossa proposta era a melhor e era constitucional -, no que diz respeito à lei da paridade, à lei do divórcio, matéria em que a sociedade portuguesa precisava de fazer mudanças, com vista a evitar o sofrimento, numa relação que já não pode prosseguir… Pensamos de forma diferente, também, no que diz respeito à interrupção voluntária da gravidez.

    Tudo temas sociais…

    Sim. Dei nota dos momentos em que o presidente da República discordou das opções do Governo, ou do Partido Socialista. Mas insisto que isso não retira respeito mútuo. O mais importante é que ambos cultivamos os deveres de cooperação institucional e do respeito pela área de competências de cada órgão de soberania.

    Quero confrontá-lo com uma frase proferida esta semana por Mário Soares, que mostrou algum incómodo com o que entende ser a falta de debate no partido: "O PS pode tornar-se um partido morto e ineficaz". Quer comentar?

    O PS não só está vivo, como está concentrado na sua tarefa principal: responder à responsabilidade que os portugueses lhe deram de governar.

    Considera, então, exagerada a análise de Mário Soares.

    Não digo isso. Eu tento, na medida das minhas possibilidades, contribuir para esse debate. E respeitei sempre as diferentes sensibilidades internas, por muito minoritárias que pudessem ser. Ainda este fim-de-semana promoveremos em Braga uma convenção com o movimento Novas Fronteiras. Será uma ocasião para mostrar um PS vivo e aberto à sociedade. Tenho bem consciência da necessidade de ter o partido mobilizado e empenhado no debate público, porque está entregue a si próprio. Vemos muitas vezes uma articulação entre os partidos com o único objectivo de criticarem o Governo. Repare que a comissão de inquérito é feita com base numa coligação entre o BE e o PSD, o que diz tudo sobre o comportamento dos partidos. É uma actuação muito insólita.

    Quando diz que o PS está entregue a si próprio, está a vitimizar-se, a dizer que estão postas em causa condições para governar?

    Não tenho feitio para me fazer de vítima. Eu luto. Mas de cada vez que me defendo, dizem que estou a vitimizar-me. O PS tem sido objecto de ataques permanentes de todos os outros partidos. Já dei o exemplo da comissão de inquérito, que tem como objectivo o ataque político. Transpõe uma linha da maior importância na nossa vida pública. Nunca discuti o carácter dos meus adversários políticos. Quem o faz, diz tudo sobre o seu próprio carácter e sobre os meios a que está disposto a recorrer. A política do "vale tudo" prejudica a democracia.

    A 24 de Junho de 2009, também disse na AR que o Estado não se envolve em negócios de uma empresa predominantemente privada. Dois dias depois, tomou a iniciativa de abortar o negócio.

    Dois dias depois, expliquei que o Estado se oporia, porque não queria que ficasse a mínima suspeita de que alguém pretendia alterar linhas editoriais.

    A afirmação foi interpretada como sendo o Estado a acabar o negócio. Ora, nessa altura, sabia que tinha terminado. Henrique Granadeiro informou-o na véspera.

    Informou-me de tudo o que se passara e disse-me que a decisão dele ia no sentido de não avançar. E eu a 26 de Junho expliquei que o Estado se oporia para que não ficasse a mínima suspeita.

    Receou que o negócio pudesse ser interpretado como "frete" ao Governo, como disse Granadeiro na comissão de Ética?

    Pois. Ou como uma intervenção ilegítima do Governo no negócio, que como Zeinal Bava explicou correspondia a um interesse empresarial da PT.

    O presidente da República disse que no seu tempo [de primeiro--ministro] o Governo tinha sempre conhecimento deste tipo de situações...

    Eram, de facto, outros tempos. Em sete dos seus dez anos, só havia uma televisão, e era pública. Que não tinha garantias, hoje existentes, de autonomia e independência da Administração e, principalmente, da Direcção de Informação. No meu mandato, já se vendeu uma televisão - justamente a TVI, à Prisa - e fui apenas informado depois de o negócio concluído. O que desejo é que na compra e venda de televisões ninguém tenha de perguntar ao Estado se está satisfeito. Devem comunicar às instituições que regulam esse mercado, a CMVM e a ERC. É este o país em que acredito.

    Ficou por esclarecer se tenciona ir à comissão de inquérito ou se vai responder por escrito.

    Repito: respondo perante o Parlamento.

    Está a fugir à questão. Se o chamarem vai ou não?

    Não quero antecipar cenários.

    Acha possível não o chamarem?

    A minha resposta é esta: não há nenhuma razão para se fazer uma comissão de inquérito, a não ser para me atacar. Acusam-me de faltar à verdade. Faça a pergunta: "Pode provar o que diz"?

    Supostamente, é por isso que há uma comissão de inquérito, para apurar se a suspeita corresponde ou não à verdade.

    Acha que, se eu lançar uma suspeita sobre um adversário, devo fazer uma comissão de inquérito?

    Não, mas deve respeitar os poderes de fiscalização da AR, de que as comissões de inquérito são instrumentos.

    Não se iluda, nem me queira iludir. As perguntas foram feitas e as respostas dadas. O único objectivo, repito, é um ataque político. A quem mais querem perguntar?

    Os deputados têm legitimidade para entender que tem de depor.

    Pois têm. Mas você é jornalista, também pode interrogar-se sobre quem é que falta ouvir.

    A minha opinião é indiferente.

    Eu sei. Mas não fuja à pergunta, como há bocado me disse que fugi à sua. A quem podem perguntar que não tenha já sido ouvido?

    A comissão de inquérito tem poderes judiciais, ao contrário da comissão de Ética.

    Que argumento é esse? Acha que as pessoas respondem de forma diferente?

    A capacidade de apurar factos é diferente. Por isso os deputados decidiram avançar para uma comissão de inquérito.

    Não está a dizer o que pensa. Os deputados tomaram essa decisão com o único propósito de me atacar pessoalmente. Querem manter o clima de suspeição. Se alguém tivesse evidência de uma contradição, aceitaria. Doutra forma, a intenção é evidente.

    Há uma expressão sua que ajudou a criar alguma confusão, a distinção entre conhecimento e conhecimento oficial.

    Disse e mantenho que era público desde há mais de um ano que a Prisa queria vender activos, entre os quais a Media Capital. Era a isso que me referia, nada mais. A tese delirante do controlo da comunicação social pressupõe que o Governo deu orientações a alguém para agir de determinada forma. Ora isso não é verdade.

    Nunca falou, durante esse período, com Rui Pedro Soares?

    Já me fizeram essa pergunta dez vezes. Nunca falei com nenhum administrador da PT sobre a compra da TVI.

    Disse na entrevista a Miguel Sousa Tavares, na SIC, que se alguém invocou o seu nome foi abusivamente. Não deveria, então, ter agido contra quem o fez?

    Não tenho nenhuma prova disso.

    Há publicação de escutas.

    Escutas sobre conversas privadas não são tema político. Eu não branqueio crimes de violação do segredo de Justiça, que são crimes contra as pessoas e contra a dignidade da Justiça.

    Rui Pedro Soares já lhe pediu desculpa por o ter envolvido indirectamente nesta questão?

    Não tem de me pedir desculpa. O que foi cometido, com a publicação de escutas, foi um crime contra ele. Lamento não ter visto nenhum líder político condenar esse crime. Pelo contrário: vi muitos tentarem aproveitar-se desse crime para o usarem contra mim.

    José Sócrates: "O PEC deve ser assumido pelo país"

    00h46m

    JOSÉ LEITE PEREIRA, PAULO FERREIRA E PAULO MARTINS

    "Não tenho nenhum sinal de que o PSD não adopte uma atitude responsável", diz o chefe do Governo,  que reage às críticas de Manuel Alegre ao documento.

    Falemos de obras públicas. Por que não foram cortadas obras em Lisboa e há cortes no TGV para o Porto e no TGV Porto-Vigo?

    Este PEC mantém as principais opções de investimento público este ano e em 2011. Onde estamos a investir o dinheiro dos portugueses? Em barragens - as principais são no Norte -, centenas de escolas, dez hospitais...

    Tudo isso é para manter?

    Sim. E o investimento em creches e na modernização de infra-estruturas. Toda a polémica resulta de suspender por dois anos a construção do TGV Lisboa-Porto e Porto--Vigo. Dizer que representa um recuo no investimento público… Estamos a manter o aeroporto e o TGV Lisboa-Madrid! Porquê adiar aquelas obras? Porto-Vigo tínhamos de adiar, porque a Espanha o fez. E adiamos Lisboa-Porto para garantir que até 2013 essa linha não terá efeitos no orçamento. Não se trata de desistir do investimento, mas de adiar este projecto. Também para criar um certo consenso à volta do PEC, que precisa de ser assumido pelo país.

    O que quer dizer com isso?

    Um PEC, que vincula o país nos próximos quatro anos, tem de ser discutido e assumido pelas instituições portuguesas.

    É necessário que o PEC seja votado no Parlamento?

    Acho que tem de resultar numa resolução, como os anteriores.

    As circunstâncias são diferentes.

    Pois são. E por serem diferentes vamos apresentar um PEC que não tem coragem de ir a votos? Não faço isso. Lá fora sabem bem o que se passa. Temos de dar garantias de governabilidade e de que as medidas serão adoptadas.

    Se o coloca a votação, pode não obter a maioria…

    É verdade. Mas espero que todos sejam responsáveis, porque o país precisa de ter um PEC que dê garantias às instituições europeias.

    Considera, portanto, pouco provável que surja mais uma coligação negativa para o inviabilizar?

    Isso seria uma total irresponsabilidade. Seria muito negativo para Portugal.

    Se entrarmos numa fase de ingovernabilidade, a culpa será da Oposição e não do Governo. É o que quer dizer.

    O Governo cumpre a sua obrigação. Apresenta o seu PEC, como fez, e muito bem, Manuela Ferreira Leite com o anterior, que também foi votado na AR. Não me atreveria a enviar um PEC para Bruxelas sem dar garantias de que será aplicado.

    Espera dos partidos da Oposição o mesmo comportamento que tiveram na votação do Orçamento?

    Espero. Não vejo razões para que isso não aconteça.

    Os sinais não são esses. Os que vêm do CDS, do PCP, do BE...

    O CDS e os partidos mais à Esquerda têm muita necessidade de afirmar bandeiras e lutar pelo seu crescimento eleitoral. O Governo e o PS não estão aqui para defender o seu capital político, mas para fazer o que é necessário ao país. Lamento que alguns partidos só pensem em ganhos eleitorais e não em soluções.

    Isenta o PSD dessa atitude?

    Não tenho nenhum sinal de que o PSD não adopte uma atitude responsável.

    O que seria uma atitude responsável? Votar a favor?

    Seria fazer uma votação por forma a que o PEC seja aprovado. Cada um assumirá as suas responsabilidades. Lembro o início desta legislatura, em que os partidos aprovaram uma série de leis que reduziam a receita fiscal em 800 milhões de euros. Fui acusado, então, de dramatizar, mas quem se portou com total irresponsabilidade foram os partidos, ao fazerem coligações negativas com o único objectivo de serem populares. Hoje, já ninguém tem dúvidas de que era o Governo que tinha razão.

    Ouviu o que Manuel Alegre disse sobre o PEC?

    Ouvi e não concordo. Este PEC é justo e necessário, porque distribui com equidade os esforços. Mas discordo sobretudo porque entendo que não faz parte do papel do presidente da República ter uma agenda alternativa de governação. A agenda da governação discute-se nas legislativas e não nas presidenciais.

    "Contenção será feita pelo lado da despesa"

    00h30m

    JOSÉ LEITE PEREIRA, PAULO FERREIRA E PAULO MARTINS

    Primeiro-ministro diz que PEC visa redução do défice e recuperação económica. E espera compreensão dos sindicatos da Função Pública.

    Na segunda parte da entrevista ao JN, mais centrada em questões económicas, José Sócrates pronuncia-se sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Responde às críticas e afirma que seria "uma total irresponsabilidade" se a Oposição parlamentar o chumbasse.

    O Orçamento do Estado (OE) para 2010 está aprovado e o PEC quase pronto. Estão reunidas condições para governar?

    O OE foi uma vitória política do país, que agora precisa de uma perspectiva económico-financeira para os próximos anos, capaz de responder a dois principais desafios: recuperação económica e contas públicas em ordem. Portugal teve em 2009 um dos melhores resultados económicos da Europa - regredimos 2,7%, enquanto a Europa regrediu 4%. O PEC, depois de debatido na Assembleia da República (AR), será entregue em Bruxelas. Mas as instituições europeias já têm um conhecimento claro do que pretendemos fazer. Fico muito satisfeito com as reacções, que lhe atribuem credibilidade. Noto que enfrentamos a maior crise económica e financeira dos últimos 80 anos. O nosso défice orçamental subiu 6,6%, em linha com o que aconteceu noutros países. Desta vez, os estados fizeram o que deviam: aumentaram o investimento e a protecção social. Por isso, estamos já com perspectivas de crescimento económico. Mas temos também de enfrentar o desequilíbrio das contas públicas. Espero que o país possa contar com o sentido de responsabilidade de todas as forças políticas.

    Uma das críticas dos partidos da Oposição ao PEC diz respeito à questão da despesa do Estado, que deveria ser mais reduzida.

    Isso é contrário ao que está escrito no PEC. Temos de reduzir o défice orçamental de 8,3%, que atingiremos este ano, para 2,8%, em 2013. O nosso esforço será de 5,5%. Cerca de 2% será obtido em virtude do crescimento económico, por efeito dos estabilizadores automáticos, e 3,5% através das medidas que propomos. Desta parcela, como se reparte o esforço? 0,8 em virtude do aumento da receita fiscal e 2,7 pela redução da despesa. Portanto, este PEC assume que o principal esforço para consolidar as contas públicas se fará do lado da despesa e não da receita.

    Estamos a falar de que despesa? De âmbito social, por exemplo, ou de estrutura e funcionamento?

    De todas. É uma ficção pensar que se pode fazer um esforço desta natureza apenas reduzindo na despesa de funcionamento. Na despesa com pessoal, agiremos através de medidas como a substituição de dois funcionários por um. Na Saúde, não é possível aplicar esta regra, mas noutras áreas temos de fazer um esforço maior.

    A área da Saúde é uma das que mais pesa em recursos humanos.

    Sim, mas a regra já produziu efeitos: reduzimos globalmente o número de funcionários em 73 mil, o que nunca aconteceu em 30 anos de democracia. Outra medida é a forte contenção orçamental. Congelámos os vencimentos dos funcionários públicos, que em 2009 foram aumentados em 2,9%, o que representou um ganho de poder de compra de 3,7, somando a inflação negativa de 0,8.

    Os sindicatos vão responder que nos sete ou oito anos anteriores os funcionários públicos perderam sempre poder de compra.

    Mas se compararmos a evolução dos salários da Função Pública nos últimos 20 anos com o sector privado não teremos essa visão.

    Espera grande contestação social?

    Não, espero que as medidas sejam compreendidas. Não fomos, neste PEC, para as medidas fáceis, como aumentar o IVA. Em quatro anos, baixámos a percentagem da riqueza que se gasta com funcionários públicos de 14,5 para 11,5% e queremos baixá-la para 10%. Tenho a certeza de que os sindicatos também compreenderão que temos uma obrigação de contenção nos próximos quatro anos, apenas em nome da recuperação económica. É absolutamente imperioso. Vamos, por outro lado, reduzir as despesas na área da Defesa.

    A redução já está prevista no OE…

    Não. No OE está uma cativação. Agora, decidimos cortar 40% da lei de programação militar, esforço que, tenho a certeza, será compreendido pelas Forças Armadas. Não vamos assumir mais compromissos na área da Defesa. E vamos, ainda, limitar a contratação fora do Estado, em outsourcing. Este é um PEC baseado em medidas justas, com repartição equilibrada de esforços.

    "Limitámos aos mais ricos o excesso de deduções"

    00h30m

    JOSÉ LEITE PEREIRA, PAULO FERREIRA E PAULO MARTINS

    Continuação da entrevista ao primeiro-ministro, José Sócrates.

    Reduzir benefícios fiscais não é o mesmo que aumentar impostos?

    Não, é reduzir a despesa fiscal.

    Significa que há menos dinheiro disponível para o contribuinte.

    Significa que vamos agir finalmente numa das áreas mais contestadas e injustas do nosso sistema fiscal. Se comparar as deduções no primeiro e no último escalões do IRS, a conclusão é escandalosa. Por cada euro deduzido no primeiro escalão, são deduzidos 20 no mais alto. Quem tem maiores rendimentos beneficia mais. É um sistema regressivo, fonte de injustiça.

    No programa do Governo estava estabelecido que o controlo da evolução da despesa pública seria feito, cito, "rejeitando o agravamento de impostos".

    O PEC não agrava nenhuma taxa nem escalão. Com um única excepção, o novo escalão de 45%, que é transitório. Mas é um imperativo de justiça pedir um contributo adicional a quem tem rendimentos superiores a 150 mil euros por ano.

    É curioso que vários vezes o governador do Banco de Portugal falou na necessidade de aumentar impostos e o primeiro-ministro sempre disse que não. Agora, no PEC, surge um novo escalão.

    Fizemos isso não tanto com base na receita esperada, mas por um critério de justiça.

    As deduções serão reduzidas a partir do terceiro escalão, o que já atinge alguma classe média.

    Serão feitas a partir da parte superior desse escalão.

    Por que é que não foi mais claro sobre esta matéria, quando o PEC foi apresentado?

    Recomendo que leia a moção que apresentei ao último congresso do PS, em 2009, onde já falava na necessidade de agir nas deduções fiscais, para corrigir a injustiça, limitando aos mais ricos o excesso de deduções. Está também assumido no programa eleitoral.

    Está, então, em condições de afirmar que a classe média não é afectada por esta alteração?

    A reforma que vamos introduzir tornará o nosso sistema fiscal mais justo. Estávamos a subsidiar com dinheiro do Estado quem recorre a colégios particulares e a sistemas de saúde privados, garantindo que tudo era deduzido nos impostos. Não há maior injustiça do que a que existe hoje. Mas não eliminamos deduções fiscais; criamos um tecto. No PEC, procurámos o equilíbrio, sem prejudicar a economia. Repare que deixámos imaculado o lado das empresas, que queremos que contribuam para o crescimento económico, que contratem trabalhadotes e invistam mais.

    PGR mentiu ao Parlamento

    FACTOS

    PGR mentiu ao Parlamento

    por CARLOS RODRIGUES LIMA

    Pinto Monteiro recusou ao PSD despacho, alegando que continha escutas de Sócrates. Mas estas não constam.

    Durante os últimos meses, o procurador-geral da República recusou (até ao grupo parlamentar do PSD) o acesso aos despacho de arquivamento ao crime de atentado contra o Estado de d ireito, alegando que os documentos continham escutas entre Armando Vara e José Sócrates, mandadas destruir pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento. E, caso as revelasse, estaria a violar a decisão de destruição. Porém, num dos despachos em causa, a que o DN teve acesso, em lado algum aparecem as conversas entre Sócrates e Vara.

    Aliás, na página 3 do despacho de 18 de Novembro, cujas conclusões foram reveladas esta semana pelo DN, Pinto Monteiro revela que nem levou em consideração as escutas entre Vara e Sócrates que, conjugadas com as restantes já conhecidas, levaram o procurador João Marques Vidal e o juiz de instrução António Costa Gomes a considerar que estava em causa um crime de atentado contra o Estado de direito.

    Este dado novo, que consta do despacho do procurador-geral de 18 de Novembro de 2009, contraria frontalmente as informações por si prestadas nos últimos meses, quer em notas à comunicação social quer em resposta aos deputados do PSD, Fernando Negrão e José Pedro Aguiar-Branco. Refira-se que, por duas vezes, estes deputados requereram acesso aos despachos de Pinto Monteiro.

    As respostas do PGR

    Na primeira resposta, a 18 de Dezembro do ano passado, Pinto Monteiro recuperou os argumentos já utilizados para os órgãos de comunicação social de forma a negar o acesso às suas decisões.

    Em síntese alegou: o seu despacho contém transcrições de escutas entre Sócrates e Vara - "já que não seria possível fundamentar os despachos sem referir o que foi escutado", escreveu o PGR -, mas estas foram mandadas destruir por Noronha do Nascimento. Logo, "a divulgação dos despachos violaria assim igualmente as decisões do presidente do Supremo Tribunal de Justiça".

    Ambos os deputados insistiram com o procurador-geral, mas a segunda resposta que obtiveram foi esta: "A decisão, no sentido do arquivamento de tais certidões, por inexistência de elementos aptos a concluir que estava indiciada a prática de qualquer ilícito, sujeito a investigação criminal, tem assim a mesma natureza e está sujeita às mesmas regras de processo penal aplicáveis à decisão que tivesse determinado a conversão de tais certidões em inquérito criminal."

    O responsável máximo do Ministério Público termina este segundo ofício enviado ao PSD, afirmando esperar que "com esta explicação, os senhores deputados requerentes considerem encerrada a questão". Questionado, ontem, através do gabinete de imprensa, sobre a contradição entre as suas respostas ao PSD e, pelo menos, um despacho seu, Pinto Monteiro apenas fez chegar ao DN esta informação: "Respondo segunda-feira se assim entender..

    Sindicatos pediram divulgação

    A divulgação das decisões tomadas por Pinto Monteiro, sobre a certidão do Ministério Público de Aveiro que imputava ao primeiro--ministro o crime de atentado contra o Estado de direito, também foi reclamada pelos sindicatos dos juízes e dos procuradores do Ministério Público.

    Em editorial, publicado em Novembro de 2009 no respectivo site da Internet (www.asjp.pt), a Associação Sindical dos Juízes considerou que "os deveres de transparência e de informação" são "essenciais para a normal e saudável fiscalização social sobre a actuação das autoridades judiciárias".

    Também o Sindicato dos Magistrados do MP defendeu a publicação das decisões do PGR.

    Entrevista ao i de Rui Pedro Soares


    Rui Pedro Soares: "Não sou amigo íntimo de José Sócrates"

    por André Macedo, Publicado em 20 de Fevereiro de 2010 

    Após as buscas na Portugal Telecom (PT), Rui Pedro Soares renunciou ao cargo de administrador da operadora na quarta-feira e nesse mesmo dia recebeu, através de e-mail, as perguntas do i. Ontem, às 21h24 as respostas chegaram, também por e-mail.

    Demitiu-se uma semana depois de o “Sol” ter publicado as escutas que o envolvem. Sentiu-se apoiado pelos seus agora ex-colegas de administração da PT ou sentiu que era o elo mais fraco e que não tinha alternativa?
    Em primeira linha, o exercício de funções pelo administrador duma sociedade depende dos accionistas, além, é claro, da sua própria vontade em permanecer no cargo. Nenhum accionista da PT me transmitiu a sua falta de apoio. A respeito do dr. Granadeiro e do eng.º Zeinal, saliento que na sua apreciação do meu pedido de renúncia referiram o empenho e o profissionalismo com que sempre exerci as minhas funções. Permita-me ainda que lhe cite uma declaração conjunta de ambos de que os motivos da minha saída foram os que constam da minha declaração de renúncia, ou seja, para poder preparar a minha defesa sem quaisquer constrangimentos e para que a minha presença nos órgãos sociais da PT não pudesse servir para lesar a imagem e a reputação do grupo PT.

    Porque motivo interpôs a providência cautelar para impedir a publicação das escutas? Não receou que esse comportamento acabasse por se virar contra si, aumentando as suspeitas e empolando ainda mais o caso?
    As pessoas de boa fé que se consigam abstrair do ruído mediático perceberão o que vou dizer. Pela providência cautelar, pedi aos tribunais que decidissem se a publicação das escutas telefónicas respeitava a lei ou não. Até hoje, já li nos media dezenas de respostas a esta pergunta, mas existe uma única decisão de mérito dum tribunal sobre esta questão e foi no sentido de que essa publicação violou a lei. Repito: uma decisão judicial, a única proferida até hoje sobre o mérito deste assunto, determinou que a publicação das escutas violou a lei. Também li nos jornais que quer o sr. procurador-geral da República, quer o Ministério Público de Aveiro abriram processos crime por causa da publicação dessas escutas, e que o juiz do processo Face Oculta disse a um jornal que entendia que as escutas estavam em segredo de justiça. Por outro lado, no meu primeiro comunicado sobre o assunto, que dirigi à “Lusa”, disse que esperava, porventura em vão, que a rapaziada do “Sol” cumprisse uma decisão judicial. Essa rapaziada publicou um comunicado dizendo que ia desobedecer a essa decisão judicial, e de caminho fugiu a receber uma notificação do Tribunal. E aconteceu que políticos que até então faziam profissões de fé em que as decisões dos tribunais devem ser respeitadas se esquecessem disso a propósito desta decisão. De todos os responsáveis políticos alheios ao PS que prestaram declarações sobre o assunto, só me lembro dum deputado do CDS a afirmar esse princípio. As declarações sobre este assunto de alguém que há poucos anos era Ministro da Justiça também merecem ser lidas e relidas. A providência cautelar fez cair a peruca a muita gente. Acredita que estou arrependido?
    Vai processar o “Sol”?
    Tem alguma dúvida?
    Com quem se aconselhou para avançar com a providência? Falou com alguém do governo?Quanto à pergunta sobre alguém do governo, desculpe mas tomo-a por brincadeira de Carnaval. Quanto ao resto, não sou advogado.
    Nesta semana, Zeinal Bava não fez um único comentário em sua defesa e Granadeiro mostrou-se muito desconfortável – a expressão foi “encornado”. Em algum momento falou com algum dos dois sobre esta questão? O que foi dito nessas conversas?
    Aí está enganado. O dr. Granadeiro e o eng.º Zeinal já elogiaram publicamente o meu empenho e profissionalismo no exercício das funções de administrador, e um dia depois da minha saída disseram que as razões dessa saída eram as que constam na minha declaração da renúncia, ou seja, passar a ter a liberdade de que necessito para preparar a minha defesa, que não teria se continuasse a ser administrador da PT, e também por entender que nas actuais circunstâncias a minha continuação como administrador serviria para que gente de má fé prejudicasse a PT.

    Zeinal Bava e Granadeiro têm condições para continuar na PT?
    Não percebo o que pode motivar alguém a fazer esta pergunta, e muito menos que sentido faz ser-me dirigida a mim.

    Qual é a sua relação com o primeiro--ministro? Quando o conheceu? Com que regularidade lhe fala? Tem acesso directo e fala ao telemóvel com José Sócrates?Não somos amigos íntimos. Conheci-o em 2004. Fomos apresentados pelo Sérgio Sousa Pinto. Há alturas em que falamos com muita frequência. Olhe, só para exemplo, pode acontecer que durante um jogo de futebol falemos cinco ou seis vezes. Mas há períodos em que passamos meses sem nos falarmos. Não tenho acesso político ao primeiro-ministro e não faço parte de nenhum círculo político do eng. José Sócrates, se é que esse círculo existe.

    Nas escutas parece ficar claro que havia mesmo a intenção de a PT funcionar como braço do governo para controlar a TVI e outros grupos de media. Como comenta?
    É sabido que considero que a publicação das escutas viola as regras legais sobre o segredo de justiça, e que por isso é crime. Já li na imprensa que o procurador-geral da República e o Ministério Público de Aveiro abriram processos-crime por causa da publicação dessas escutas, processos esses que acompanharei com muita atenção. Aliás, disse aos meus advogados que me quero constituir como assistente nesses processos. Também já li que o juiz da comarca do processo Face Oculta disse que considera que essas escutas estão em segredo de justiça. Assim, não falo sobre o seu conteúdo, pois, a ser verdade que são crime, o que os meus advogados me dizem que sim, estaria a compactuar com criminosos, e até dos que fogem a serem notificados pelos tribunais. Não me queira fazer cúmplice dessa rapaziada. Dizem-me também que, estando em causa comunicações entre cliente e advogado, as escutas das conversas entre mim e o advogado dr. Paulo Penedos poderão ser ilegais. Não sendo advogado, ouvi dizer um dia que há certas leis que os cidadãos devem defender como se fossem as muralhas da sua cidade.

    A PT tinha de facto vontade de voltar aos media depois da experiência amarga na Lusomundo? Acha que fazia sentido estratégico este regresso aos media?
    Estou limitado por lei por um dever de confidencialidade relativamente a negócios da PT. Os administradores da empresa proprietária do i dir-lhe-ão o mesmo se lhes perguntar. E não se esqueça de que a PT está num ambiente de concorrência apertada e que a PT Comunicações é concessionária do serviço público universal de telecomunicações. Se falar sobre esse negócio, como sobre outros, dizem-me os advogados que posso estar a cometer um crime chamado violação de segredo por funcionário. Este dever de confidencialidade e as suas consequências foi algo para que os advogados me alertaram aquando do meu início de funções de administrador. É claro que não cometerei esse crime, ou qualquer outro.

    Essa vontade foi alguma vez discutida formal e informalmente pela administração da PT?Tenho de repetir o que disse à sua pergunta anterior?

    Nunca avaliaram os riscos políticos da operação?
    Outra vez?
    Alguma vez falou com o primeiro-ministro ou com o ministro das Obras Públicas sobre estas questões (os media) e alguma vez José Sócrates – ou outro elemento do governo – lhe pediu que montasse um esquema para aumentar o peso e o controlo do Estado nos órgãos de comunicação social?
    Essa história de que o primeiro-ministro ou qualquer membro do governo me deram ordens, instruções ou recomendações para a PT comprar uma participação na TVI é de anedota. Só o “Sol” e quem acredita no que lê no “Sol” pode imaginar que o primeiro-ministro me deu essa ordem e que eu, então um vogal da comissão executiva da PT, teria decidido comprar essa participação, ou que teria dado ordem aos meus chefes, o dr. Granadeiro e o Eng. Bava, para a comprarem. E li na imprensa uma declaração conjunta do dr. Granadeiro e do eng. Zeinal que me permitirá que cite na íntegra: “A projectada aquisição pela PT de uma participação relevante na Media Capital enquadrava-se nos objectivos estratégicos da PT, apresentando por isso um racional de negócio próprio, sobre o qual foram dadas as explicações necessárias em momento próprio e que aqui se reiteram”.

    Como explica as conversas que teve com Paulo Penedos sobre o negócio entre a PT e a Prisa?
    Não branquearei o crime de violação de segredo de justiça.
    O facto de ter chegado a administrador da PT com 33 anos é um dos elementos que fortalece e credibiliza as suspeitas junto da opinião pública. Como conseguiu a nomeação, quem o convidou e como reagiu ao convite?Fui convidado por uma única pessoa: o dr. Henrique Granadeiro. Só o próprio poderá explicar a razão de me ter convidado e de me ter renovado o convite três anos depois, para o mandato seguinte. Como imagina, recebi ambos os convites com alegria e sentido de responsabilidade.

    Acha-se um boy do PS ou considera injusta essa acusação?
    As biografias que os jornais têm publicado sobre mim têm esse objectivo. Como essas biografias estão cheias de meias verdades, omissões e mentiras puras e duras, quem quiser tire as suas conclusões. Mas deixe-me dizer o seguinte: enquanto administrador executivo da PT SGPS fui quatro vezes avaliado pela comissão de avaliação da empresa. Cada um dos pelouros que ocupei, e nomeadamente o cumprimento dos meus objectivos em cada pelouro, foi analisado e apreciado por essa comissão. Essa informação é pública. Por que razão nenhum jornal, até hoje, se interessou por ela?
    Sente-se perseguido politicamente?
    Não acredito que haja alguém suficientemente ingénuo a ponto de não perceber que o que se está a passar relativamente a mim faz parte duma estratégia para atacar o eng. José Sócrates.

    Desde quando soube que estava sob escuta? Alguém o informou antes de ver publicadas as escutas? O “Correio da Manhã” noticiou que, a certa altura, alguém o informou...
    Em primeiro lugar, nenhuma autoridade me disse que estou sob escuta. Mas li há tempos na imprensa que em Portugal há uns 40.000 telefones sob escuta. O “Correio da Manhã” também publicou, como notícia principal da sua edição na Internet, no dia em que a operação policial Face Oculta se tornou pública, que um administrador da PT estava a ser ou tinha sido inquirido no âmbito desse processo, e no texto dizia-se que esse administrador era eu próprio. Veja bem aonde as coisas chegam.  Aproveito para dizer que não conheço o Sr. Manuel Godinho e nenhuma das suas empresas tinha ou teve relações com a PT enquanto fui seu administrador, ou, tanto quanto sei, com qualquer empresa a que eu esteja ou tenha estado ligado.

    Fala ao telefone livremente?
    Há tempos, li uma declaração do dr. José Pacheco Pereira em que este dizia qualquer coisa como isto: sei, como toda a gente, que há conversas que não se devem ter ao telefone. Mas também sei que sempre cumpri a lei e não tenho nada a recear. Além de que pôr-me a monte para fugir a notificações dos tribunais não faz o meu tipo.
    Acha que as grandes empresas têm poder sobre os media? Controlam jornalistas?
    A meu ver, só é controlado quem se deixa controlar.

    O que vai fazer agora que saiu da PT? Saiu da administração, mas continua quadro da empresa? Trabalho no grupo PT desde 2001. Entrei, com um contrato de trabalho a termo com a duração dum ano. Era então primeiro-ministro o eng. Guterres. Durante os governos dos drs. Durão Barroso e Santana Lopes, entrei no quadro, o meu salário triplicou e fui nomeado assessor do conselho de administração da PT Multimédia. O meu contrato de trabalho esteve suspenso enquanto fui administrador, e agora que deixei de o ser, o contrato deixou de estar suspenso.

    As conclusões do despacho de Pinto Monteiro

    As conclusões do despacho de Pinto Monteiro

    19-02-2010

    As conclusões do despacho de Pinto Monteiro

    V

    10 Os elementos disponíveis e conhecidos apontam no sentido de que, das pessoas envolvidas nas escutas, apenas o Primeiro-Ministro é titular de um cargo político. As restantes exercem, em diversas qualidades, a sua actividade profissional nas áreas empresarial, económica e financeira ou da comunicação social. Esta circunstância não obsta, como dissemos, a que, se for caso disso, possam igualmente ser responsabilizadas, de acordo com o disposto no artigo 28º do Código Penal, pela prática do crime de atentado contra o Estado de direito, p.e p. pelo artigo 9º da Lei nº. 34/87, de 16 de Julho.

    O conteúdo das dezenas de produtos revela procedimentos utilizados entre agentes económicos e financeiros, que poderão estar relacionados com empresários e jornalistas, numa ligação, porventura, pouco transparente. É, aliás, conhecida a apetência das forças político partidárias pela influência nos meios de comunicação social.

    Este quarto poder ou contra poder como alguns lhe chamam é, efectivamente, um importante instrumento na transmissão e divulgação de ideias políticas.

    Ao Procurador-Geral da República não compete, contudo, analisar eventuais responsabilidades políticas.

    Questão diferente é a da responsabilidade criminal, a de saber se os elementos probatórios coligidos, nomeadamente os trechos das escutas que acabámos de realçar, ultrapassam os limites geralmente aceites do relacionamento empresarial e da luta político-partidária e contêm indícios de prova que justifiquem a instauração de procedimento criminal pela prática de crime de atentado contra o Estado de direito, p. e p. no artigo 9º da Lei n.º 34/87, de 16 de Julho.

    Consideramos que não.

    10.1 Não se vê nos trechos das escutas constantes das diversas alíneas do n.º 8 indícios de tentativa de destruição, alteração ou subversão do Estado de Direito, como exige o tipo legal de crime em causa.

    A compra pela PT de capital social da Media Capital (dona da TVI) é abordada com algum detalhe em conversações que Rui Pedro Soares mantém com Armando Vara e Paulo Penedos.

    Uma delas [produto n.º 460, alínea g) do n.º 8] assume relevo neste contexto, atentos o seu conteúdo e a ênfase que lhe é conferida no despacho de 22 de Junho de 2009 do Procurador da República do DIAP da Comarca do Baixo Vouga.

    Nesta conversação (efectuada a 21 de Junho de 2009 de Rui Pedro Soares para Armando Vara) é sobretudo o primeiro que informa o segundo dos termos do negócio projectado e responde às suas perguntas (sobre o destino de José Eduardo Moniz, sobre o financiamento, sobre "como é com o poder" ou sobre a situação de Manuela Moura Guedes). É neste quadro que surge a afirmação de que "Armando Vara mostra-se preocupado com as consequências se se souber que há esquema", acrescentando-se logo a seguir que "Rui Pero confirma que 'nós não estamos inocentes nesta coisa do Benfica' e que fez com que isso desgastasse José Eduardo Moniz".

    Quando nesta conversação se fala em "esquema", pretende-se, no contexto, abranger, nas suas diversas componentes e implicações, tão-só o negócio PT/PRISA. Ora, não se pode descontextualizar a expressão nem atribuir-lhe uma dimensão conspirativa - traduzida na "existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferir no sector da comunicação social" - que, abranja igualmente propósitos de interferência na titularidade dos jornais Correio da Manhã e Público.

    Na verdade, não se mostra que a referência incidentalmente feita a estes dois jornais na parte final da conversação mantida entre Rui Pedro Soares e Armando Vara reflicta o propósito mais vasto de um "plano" de interferência na comunicação social por parte do Governo, com o objectivo de restringir ou cercear a liberdade de expressão e de destruir, alterar ou subverter o Estado de direito.

    Em primeiro lugar, nas referências, explícitas ou implícitas, feitas ao Primeiro-Ministro nos produtos das alíneas a), g), l), m), o), p), s), f), u), v), e z), do n.º 8 não existe uma só menção de que ele tenha proposto, sugerido ou apoiado qualquer plano de interferência na comunicação social. Não resulta sequer que tenha proposto, sugerido ou apoiado a compra pela PT de parte do capital social da PRISA, tal como se não mostra clarificado o circunstancialismo em que teve conhecimento do negócio. Ao invés, há nas escutas notícia do descontentamento do Primeiro-Ministro, resultante de não terem falado com ele acerca da operação; "devia ter tido a cautela de falar com o Sócrates... não falei e o gajo não quer o negócio. Era isto que eu temia. Acho que o Henrique não falou com ele, o Zeinal não falou com ele... eh pá... agora ele está 'todo fodido'. 'Está todo fodido e com razão'" [n.º 8, alínea u), produto nº 5291, de Rui Pedro Soares para Paulo Penedos; v. ainda os produtos das alíneas x) e z)].

    Quanto a tal negócio, é citado nas escutas um outro membro do governo, nestes termos: "o Lino diz que não quer saber, que decidam o que quiserem... ninguém se atravessa... o Zeinal faz o que quiser, se quiser faz o negócio se não quiser não faz o negócio" [n.º 8, alínea v), produto n.º 5292, de Rui Pedro Soares para Paulo Penedos].

    Em segundo lugar, sem prejuízo da enumeração da alínea m) do n.º 8, o produto n.º 460 insere a única alusão feita nas escutas ao jornal Público. Quanto ao Correio da Manhã, refere-se no produto n.º 4051, de 17 de Junho de 2009 [n.º 8, alínea c)] que o próprio Paulo Fernandes "estava a tentar comprar esses 30% da TVI"; "não conseguindo... está disponível para vender o Correio da Manhã"; nos produtos nº 607 e 620-624, de Fernando para Armando Vara, todos de 24 de Junho de 2009 [alíneas p) e q)], fala-se na compra deste jornal, mas numa perspectiva de reestruturação do grupo Ongoing e do acautelamento dos créditos do BCP e CGD sobre Cofina.

    Há ainda a menção a "um dado novo - as rádios vão ser compradas pela Ongoing e pelo genro de Cavaco" [n.º 8, alínea r), conversação de Rui Pedro Soares para Paulo Penedos], menção pontual e de todo inconsistente.

    Como falar, perante estes elementos, na "existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferir no sector da comunicação social"?

    10.2 Não se ignora que o Jornal Nacional de 6ª da TVI (e, em menor escala, também o jornal Público) foram objecto de viva contestação por parte de elementos do Partido Socialista (e do próprio Primeiro-Ministro), sendo de admitir que estes meios de comunicação social terão, eventualmente, sido objecto de pressões no sentido de não adoptarem uma linha editorial hostil ao Governo.

    Não pode, porém, confundir-se a adopção (pelo partido e membros do Governo e pelos partidos da Oposição) de procedimentos comummente aceites no sentido de se obter uma "imprensa favorável", com o recurso a comportamentos criminalmente puníveis. Ainda que se fale de "interferências" (termo amiúde utilizado por agentes políticos, como se vê nos recortes de imprensa), entendemos que a tentativa de alteração da linha editorial de um órgão de comunicação social, a ter existido [cf. n.º 8, alínea f), produto n.º 4420] não pode ser confundida (nem quaisquer elementos de prova apontam nesse sentido) com o propósito de subverter o Estado de direito.

    10.3 Outros produtos, resultantes nomeadamente de conversações entre Paulo Penedos e Rui Pedro Soares, incluem referências a contactos havidos entre elementos da PT e da PRISA.

    Mas também não existe nos elementos disponíveis qualquer referência a acções ou omissões de titulares de cargos políticos ou de outras pessoas, que se mostrem de algum modo idóneos para "tentar destruir, alterar ou subverter o Estado de direito constitucionalmente estabelecido, nomeadamente os direitos, liberdades e garantias estabelecidos na Constituição da República" (artigo 9.º da Lei n.º 34/87).

    10.4 Interessa frisar um último aspecto.

    Resulta da análise global dos documentos recebidos que a operação PT/PRISA tanto é objecto de menções equívocas, por ex. ao nível de engenharia financeira que lhe estaria associada [n.º 8, alíneas a) e b)] como é justificada em termos económicos e empresariais, quer por analistas [n.º 8, alínea ee), produto n.º 5565], quer pela PT, designadamente pelo presidente do Conselho de Administração, afirmando-se que a sua não concretização "parte do cumprimento de ordens contra os interesses da empresa "[n.º 8, alínea z), produto n.º 5432]" e que é escandaloso como é que não somos nós a comprar e vai ser a Cofina ou a Ongoing" [n.º 8, alínea aa), produto n.º 5467].

    Não obstante ter sido insistentemente justificado em termos empresariais por altos responsáveis da PT, o negócio com a PRISA acabou por não se concretizar, por, no exercício dos direitos resultantes da golden share por parte do Estado, ter sido inviabilizado pelo Governo, vindo, mais tarde a Ongoing a assumir uma posição accionista na Media Capital.

    Conclui-se assim, que:

    a) Não existem no conjunto dos documentos examinados elementos de facto que justifiquem a instauração de um procedimento criminal contra o Primeiro-Ministro José Sócrates e/ou qualquer outro dos indivíduos mencionados nas certidões, pela prática do referido crime de atentado contra o Estado de Direito;

    b) Entregues que se encontram as certidões e CD's ao Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, aguardar-se-á que se pronuncie sobre os actos relativos à intercepção, gravação e transcrição das conversações e comunicações em que intervém o Primeiro-Ministro.

    xxx

    A parte decisória do presente despacho vai ser divulgada pelos meios de Comunicação Social nos termos do artigo 86º n.º 13 do Código do Processo Penal.

    A fundamentação do presente despacho manter-se-á abrangida pelo segredo de justiça enquanto o processo de onde foram extraídas as certidões estiver sujeito a tal regime.

    Por confidencial envie-se a cópia ao Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e ao Senhor Procurador-Geral Distrital de Coimbra.

    18.11.2009

    O Procurador-Geral

    da República

    Fernando José Matos

    Pinto Monteiro

    Sócrates II - secretários de estado

    Já é oficial a lista dos novos secretários de Estado
    Publicado em 28 de Outubro de 2009


    José Sócrates já apresentou a lista dos secretários de Estado ao presidente da República.

    Os secretários de Estado deste Governo são:

    • Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Dr. José Manuel Gouveia Almeida Ribeiro

    • Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Prof. João Titterington Gomes Cravinho
    • Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Mestre Pedro Manuel Carqueijeiro Lourtie
    O ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro, Pedro Lourtie, é o novo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, anunciou hoje fonte oficial. Pedro Manuel Carqueijeiro Lourtie, 38 anos, é licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa e mestre em Estudos Europeus pelo Colégio da Europa, em Bruges.


    • Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. António Fernandes da Silva Braga
    António Braga mantém-se como secretário de Estado das Comunidades, anunciou hoje fonte oficial. Ocupando o cargo desde Março de 2005, António Braga teve na reestruturação consular a medida mais controversa do seu mandato.

    • Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, Mestre Emanuel Augusto dos Santos
    • Secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Mestre Carlos Manuel Costa Pina
    • Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Prof. Dr. Sérgio Trigo Tavares Vasques
    • Secretário de Estado da Administração Pública, Mestre Gonçalo André Castilho dos Santos
    O ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, manteve três dos seus anteriores secretários de Estado e substituiu apenas o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, que passará a ser o professor universitário Sérgio Vasques. O secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos, o secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, e o secretário de Estado do Tesouro e finanças, Carlos Costa Pina, vão continuar na equipa ministerial de Fernando Teixeira dos Santos nesta legislatura

    • Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. Laurentino José Monteiro Castro Dias
    Laurentino Dias foi hoje reconduzido como secretário de Estado da Juventude e do Desporto, segundo a proposta hoje entregue pelo primeiro-ministro ao Presidente da República.

    • Secretária de Estado da Modernização Administrativa, Profª. Drª. Maria Manuel Leitão Marques
    • Secretário Estado da Administração Local, Dr. José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro
    José Junqueiro é o novo Secretário de Estado da Administração Local, substituindo no cargo Eduardo Cabrita, ficando na dependência da Presidência do Conselho de Ministros.

    • Secretária de Estado da Igualdade, Drª. Elza Maria Henriques Deus Pais

    • Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Dr. Marcos da Cunha e Lorena Perestrello de Vasconcellos
    O ministro da Defesa Nacional, Augusto Santos Silva, vai ter como secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar Marcos Perestrello, uma figura do aparelho socialista que substitui João Mira Gomes, um diplomata de carreira.


    • Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Dr. José Manuel Vieira Conde Rodrigues
    • Secretário de Estado da Administração Interna, Drª. Maria Dalila Correia Araújo Teixeira
    • Secretário de Estado da Protecção Civil, Dr. Vasco Seixas Duarte Franco
    Segundo a lista hoje proposta pelo primeiro-ministro, José Sócrates, ao Presidente da República, Cavaco Silva, José Conde Rodrigues vai ocupar o cargo do secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Dalila Araújo de secretária de Estado da Administração Interna, enquanto Vasco Franco de secretário de Estado da Protecção Civil.

    • Secretário de Estado da Justiça, Dr. João José Garcia Correia
    • Secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, Dr. José Manuel Santos de Magalhães
     O advogado João Correia vai ocupar o cargo de secretário de Estado da Justiça, enquanto José Magalhães transita do Ministério da Administração Interna para ser secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária. José Magalhães, indigitado para ocupar o cargo de secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, desempenhava até agora as funções de secretário de Estado adjunto e da Administração Interna.

    • Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e do Desenvolvimento, Mestre Fernando Medina Maciel Almeida Correia 
    Fernando Medina, secretário de Estado Adjunto, da Indústria e do Desenvolvimento, vai ter a responsabilidade directa na aplicação dos fundos comunitários e o plano tecnológico fica dependente da Economia.

    • Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, Dr. Fernando Pereira Serrasqueiro

    • Secretário de Estado do Turismo, Dr. Bernardo Luís Amador Trindade


    • Secretário de Estado da Energia e da Inovação, Prof. Doutor José Carlos das Dores Zorrinho
    Vieira da Silva alterou a antiga secretaria de Estado da Indústria e Inovação para Energia e Inovação, de onde sai António Castro de Guerra para entrar Carlos Zorrinho, que já tinha feito parte de um elenco governativo.

    • Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Eng. Rui Pedro de Sousa Barreiro
    O novo ministro da Agricultura António Serrano escolheu Rui Barreiro para secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural e manteve Luís Vieira como secretário de Estado das Pescas e Agricultura.

    • Secretário de Estado das Pescas e Agricultura, Dr. Luís Medeiros Vieira

    • Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, Dr. Paulo Jorge Oliveira Ribeiro de Campos
    • Secretário de Estado dos Transportes, Dr. Carlos Henrique Graça Correia da Fonseca
    O novo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça, escolheu Carlos Correia da Fonseca para suceder a Ana Paula Vitorino na secretaria de Estado dos Transportes. Paulo Campos mantém-se como secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações.
    • Secretário de Estado do Ambiente, Prof. Doutor Humberto Delgado Ubach Chaves Rosa
    • Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Dra. Fernanda Maria Rosa do Carmo Julião

    • Secretário de Estado da Segurança Social, Mestre Pedro Manuel Dias de Jesus Marques
    • Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Mestre Valter Victorino Lemos
    • Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Maria Marques Salvador Serrão de Menezes Moniz
    A nova ministra do Trabalho e da Solidariedade Social escolheu Valter Lemos para secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional e manteve o secretário de Estado da Segurança Social e a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação. A nova ministra optou por manter Pedro Marques como secretário de Estado da Segurança Social e Idália Moniz como secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação.
    • Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Dr. Manuel Francisco Pizarro Sampaio e Castro

    • Secretário de Estado da Saúde, Dr. Óscar Manuel de Oliveira Gaspar

    • Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Prof. Doutor José Alexandre da Rocha Ventura Silva
    • Secretário de Estado da Educação, Dr. João José Trocado da Mata
    O coordenador do Plano Tecnológico da Educação, João Mata, e o presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, Alexandre Ventura, são os secretários de Estado de Isabel Alçada no Ministério da Educação.

    • Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Prof. Doutor Manuel Frederico Tojal de Valsassina Heitor
    Manuel Heitor permanece como único secretário de Estado do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago.

    • Secretário de Estado da Cultura, Dr. Elísio Costa Santos Summavielle
    O novo secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, ocupava até agora o cargo de director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) e tem uma já longa carreira ligada ao património.